O Diário Digital de Bordo (DDB) integra-se no núcleo metodológico desta investigação de doutoramento em Média-Arte Digital. Não funciona como blog pessoal, portefólio ou espaço de divulgação, mas como infraestrutura reflexiva no interior de uma abordagem de investigação baseada na prática.
A sua função consiste em tornar processualmente visível o desenvolvimento conceptual e operativo da investigação antes da sua estabilização no texto final da tese. O DDB documenta decisões formais, hipóteses estruturais, tensões institucionais, reformulações conceptuais e deslocamentos analíticos que emergem ao longo do percurso investigativo e criativo, constituindo um rasto processual da articulação entre configuração estética, institucionalidade e agência participativa.
As entradas organizam-se segundo etapas do processo investigativo — inspiração, gatilho, intenção, conceptualização, prototipagem, teste e correções, intervenção — entendidas não como fases lineares, mas como momentos iterativos e interdependentes na conceção do dispositivo experimental.
Enquanto dispositivo digital, o DDB assume uma forma multimodal, integrando texto, esquemas, imagens e registos audiovisuais. Esta opção reflete a natureza da média-arte digital enquanto prática estruturada sobre modularidade e variabilidade, permitindo acompanhar criticamente a incorporação formal da institucionalidade e a problematização da mediação estrutural no contexto do serviço público de media.
As entradas do Diário Digital de Bordo articulam-se com o documento de tese em desenvolvimento, funcionando como camada reflexiva contínua que assegura rastreabilidade metodológica e coerência interna no processo de formalização do Modelo Tripolar de Prática Crítica em Serviço Público de Media.