Três dispositivos, três formas de variar a mediação pública digital

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A investigação começa a adquirir uma configuração experimental mais definida através da identificação de três conceitos de obras-dispositivo de Média-Arte Digital: o Atlas Narrativo Modular, a Máquina Curatorial Instável e a Interface de Participação Instável.

Embora correspondam a possibilidades artísticas distintas, os três dispositivos partilham uma intenção: explorar como a introdução de variações estruturadas em formas de mediação pública digital pode constituir um meio de produção situada de conhecimento.

Esta aproximação parte de um princípio metodológico fundamental: a prática artística não surge como ilustração de uma teoria previamente estabelecida, nem como instrumento destinado a demonstrar a eficácia de uma solução. É através da experimentação em Média-Arte Digital, das suas decisões formais e das relações que eventualmente estabelece com o campo institucional que se pretende desenvolver conhecimento.

Três dimensões de variação

O D1 — Atlas Narrativo Modular corresponde à dimensão narrativa. A sua intenção consiste em explorar diferentes formas de organizar, relacionar e recombinar elementos narrativos, interrogando as condições de construção de sentido na mediação pública digital.

O D2 — Máquina Curatorial Instável corresponde à dimensão curatorial. Pretende explorar artisticamente a alteração de critérios de seleção, associação, ordenação e visibilidade, tornando a própria configuração curatorial uma matéria de experimentação.

O D3 — Interface de Participação Instável corresponde à dimensão participativa. Procura interrogar as condições de intervenção e agência através de possíveis variações nas relações entre participantes, escolhas e estruturas de mediação.

Estas três dimensões não constituem categorias fechadas ou independentes. Narrativa, curadoria e participação podem relacionar-se e sobrepor-se. A sua distinção inicial permite, contudo, estabelecer diferentes focos de experimentação, preservando a autonomia artística de cada obra-dispositivo.

A variação como possibilidade de conhecimento

O elemento comum aos três conceitos é a variação experimental.

Variar uma estrutura narrativa, uma configuração curatorial ou uma condição participativa não significa, por si só, produzir conhecimento. Essa possibilidade depende do modo como a variação é artisticamente concebida, concretizada, documentada e posteriormente interpretada.

A investigação pretende acompanhar este percurso, considerando as relações entre o gesto artístico, as configurações experimentais, as condições de contacto situado e as ocorrências que possam tornar-se observáveis.

A RTP Lab constitui o campo institucional de referência para esse eventual contacto. Não se pretende avaliar a organização, propor-lhe soluções ou demonstrar antecipadamente que a experimentação provocará alterações institucionais.

Poderão surgir continuidades, limites, tensões, fricções ou possibilidades de incorporação. Poderão igualmente não surgir. Em qualquer dos casos, as conclusões dependerão da documentação efetivamente produzida e da interpretação crítica das condições em que a prática se desenvolveu.

Três conceitos, um percurso ainda aberto

Neste momento, os três dispositivos encontram-se identificados conceptualmente. A sua apresentação no Diário Digital de Bordo não corresponde à conclusão das obras, à existência de protótipos ou à realização de experiências.

Permanecem por desenvolver as decisões relativas às suas configurações estéticas, aos materiais, às regras de variação e às condições concretas de experimentação.

A identificação destes três conceitos constitui, assim, uma delimitação inicial das possibilidades artísticas da investigação, e não a antecipação dos seus resultados.

O percurso continuará aberto à reformulação, à interrupção e à descoberta. O que se procura compreender não é se os dispositivos cumprem uma função previamente determinada, mas de que forma a experimentação em Média-Arte Digital pode produzir conhecimento situado através das relações que estabelece com a mediação pública digital e com o campo institucional.