Metodologia

A investigação inscreve-se no paradigma da investigação baseada na prática artística (practice-based research), articulando-o com contributos da investigação através do design (research through design) e assumindo a Média-Arte Digital como método de produção de conhecimento.

A prática artística não é utilizada para ilustrar uma teoria previamente estabelecida. Constitui um processo de investigação no qual decisões estéticas, operações experimentais, condições contextuais e reflexão crítica participam na construção do conhecimento.

Experimentação e variação estruturada

A investigação desenvolve-se através de obras-dispositivo que introduzem variações em formas de mediação pública digital.

O Atlas Narrativo Modular explora a dimensão narrativa; a Máquina Curatorial Instável, a dimensão curatorial; e a Interface de Participação Instável, a dimensão participativa.

Cada dispositivo preserva a sua autonomia artística, ao mesmo tempo que permite explicitar as operações experimentais realizadas e as condições em que estas são observadas.

Relação com o campo institucional

A RTP Lab constitui o campo institucional de contacto da investigação, não o seu objeto de avaliação.

O contacto situado permite observar o que acontece quando uma variação artística se relaciona com condições concretas de mediação pública. Essas ocorrências podem envolver aproximações, limitações, tensões, interrupções ou ausência de efeitos institucionais identificáveis.

A investigação não pressupõe que a experimentação produza fricção, reconhecimento, incorporação ou aprendizagem institucional.

Documentação e interpretação

O percurso metodológico articula prática artística, variação estruturada, contacto situado, ocorrência, documentação, interpretação reflexiva e produção situada de conhecimento.

Os materiais de trabalho, as versões dos dispositivos, os registos processuais e as reflexões do investigador permitem acompanhar o desenvolvimento da prática e fundamentar a análise dentro dos limites de cada fonte.

A investigação distingue entre evidência documentada, interpretação reflexiva e conceptualização posterior. Uma intenção não demonstra execução, e uma reflexão não constitui, por si só, prova de uma ocorrência institucional.

Diário de Bordo Digital

O Diário de Bordo Digital acompanha a investigação como espaço de documentação cronológica, reflexão artística e comunicação do processo.

Organiza-se segundo as categorias existentes — Inspiração, Gatilho, Intenção, Conceptualização, Prototipagem, Teste e Correções e intervencao — entendidas como momentos iterativos e não necessariamente lineares.

As publicações históricas são preservadas, mesmo quando apresentam formulações científicas entretanto revistas. As novas entradas documentarão essas transformações, distinguindo os registos contemporâneos das reconstruções retrospetivas.

O Diário não substitui a tese escrita nem transforma automaticamente os seus registos em evidência empírica. Torna visível o percurso da investigação, incluindo decisões, dúvidas, reformulações, alternativas e limites.

Formalização conceptual

A eventual construção do Modelo de Experimentação Institucional constitui uma etapa posterior, dependente das experiências efetivamente realizadas, da documentação disponível e da interpretação crítica.

O Modelo não é entendido como receita de aplicação universal nem como demonstração de sucesso institucional, mas como possível formalização conceptual do conhecimento produzido através da prática.