Categoria: Conceptualização / Reformulação
Data: 16 de fevereiro de 2026
O percurso desenvolvido até este momento conduziu a uma reformulação estrutural da investigação. A versão inicial do projeto privilegiava a análise da transformação do serviço público de media em ambiente de plataforma, com particular atenção às narrativas transmedia e às formas de interatividade.
A evolução do trabalho — teórico e prático — revelou, contudo, que a questão central não residia na transformação de formatos nem na expansão narrativa, mas na mediação estrutural que organiza a experiência em contexto institucional de plataforma.
Esta deslocação implicou clarificação conceptual em três níveis:
- A média-arte digital deixou de ser entendida como exploração de formatos interativos e passou a ser concebida como prática crítica institucional.
- A institucionalidade deixou de ser enquadramento externo e passou a ser incorporada como regime operatório da forma.
- A participação deixou de ser analisada enquanto envolvimento e passou a ser entendida como agência situada, estruturalmente condicionada.
A articulação destas três dimensões conduziu à formalização do Modelo Tripolar de Prática Crítica em Serviço Público de Media, composto por:
- Configuração estética
- Institucionalidade
- Agência participativa
A tripolaridade não resulta de escolha arbitrária, mas da identificação de dimensões irredutíveis da mediação digital contemporânea. A criticidade manifesta-se na zona de fricção onde estas dimensões se articulam de forma tensionada, tornando experienciável o carácter não neutro da organização da experiência.
Esta reformulação implicou igualmente a redefinição do papel do dispositivo experimental. O protótipo deixou de ser concebido como proposta de inovação narrativa e passou a funcionar como instrumento epistemológico destinado a materializar tensões estruturais próprias da mediação digital em contexto institucional.
O Diário Digital de Bordo acompanha esta inflexão. As entradas anteriores devem ser lidas como etapas de um processo de clarificação progressiva. A consolidação do modelo não encerra o percurso, mas estabiliza o eixo conceptual a partir do qual o desenvolvimento empírico prossegue.
A investigação mantém-se aberta, mas a sua estrutura conceptual encontra-se agora definida.