Conceptualização

Estado do projeto: Estruturação


Pensar o sistema antes do objeto

O que aconteceu

Após a definição da intenção que orienta a investigação, torna-se necessário iniciar um trabalho de conceptualização que antecede qualquer forma de materialização. Neste momento, a prática ainda não se traduz em protótipos, mas em desenho conceptual: relações, regras, limites e possibilidades que estruturam o sistema narrativo a desenvolver.

A reflexão desloca-se do “o que questionar” para o “como tensionar”. A media-arte digital é mobilizada não como campo de produção de objetos isolados, mas como espaço para conceber sistemas narrativos abertos, capazes de articular arquivo audiovisual, território, memória coletiva e interatividade de forma crítica.


Questão / problema emergente

Como conceber um sistema narrativo transmedia que opere a partir do arquivo audiovisual do serviço público de media sem o transformar num simples repositório ou numa base de dados navegável?

De que modo a interatividade pode ser pensada como relação e condição narrativa — e não apenas como escolha ou navegação — no contexto institucional da RTP Play?


Decisão provisória

Assumir que o protótipo deverá ser conceptualizado como um sistema relacional, e não como uma obra fechada ou uma experiência linear. A unidade fundamental deixa de ser o conteúdo individual e passa a ser a relação entre fragmentos, contextos, temporalidades e modos de acesso.

O arquivo audiovisual é entendido como matéria viva e instável, cuja ativação depende de enquadramentos narrativos, territoriais e simbólicos. A interatividade é pensada como dispositivo de mediação crítica, colocando o utilizador numa posição de co-presença interpretativa, em vez de controlo funcional.


Consequências para a investigação

Esta conceptualização implica abandonar modelos clássicos de narrativa transmedia orientados para a expansão de universos ficcionais ou para a circulação estratégica de conteúdos entre plataformas. O foco desloca-se para a construção de um sistema que revele tensões entre abertura narrativa e enquadramento institucional.

O processo de conceptualização passa a produzir esquemas, mapas conceptuais, diagramas e hipóteses narrativas que antecedem qualquer implementação técnica. Estes materiais tornam-se parte integrante da investigação e do registo no Diário Digital de Bordo.


Relação com a investigação

Esta entrada marca a transição da intenção para a estrutura conceptual do protótipo enquanto dispositivo crítico. Ao definir o protótipo como sistema narrativo relacional, a investigação estabelece as bases para explorar as narrativas transmedia e a interatividade como problemas epistemológicos e institucionais, e não como soluções formais. A conceptualização cria, assim, o campo de possibilidades a partir do qual a prototipagem poderá ocorrer de forma consciente e crítica.

Entrada registada no contexto de um processo em curso. As decisões aqui descritas são provisórias e sujeitas a reformulação.