Este Diário Digital de Bordo surge da necessidade de tornar visível um processo de investigação que não é linear, nem puramente teórico, nem redutível a resultados finais.
A investigação que aqui se desenvolve parte do campo da media-arte digital e da investigação baseada na prática. Nestas abordagens, o conhecimento não emerge apenas da análise retrospectiva, mas do próprio fazer: das decisões tomadas, das hipóteses testadas, dos erros cometidos e das reformulações sucessivas que acompanham o desenvolvimento do trabalho.
O DDB existe para registar esse percurso antes da sua estabilização no texto da tese. Não funciona como memória organizada a posteriori, mas como espaço de pensamento em ato, onde se documentam problemas, fricções e impasses, tanto conceptuais como institucionais.
A opção por um formato de blog não responde a uma lógica de comunicação ou divulgação, mas à necessidade de um suporte digital que permita registo cronológico, indexação por etapas metodológicas e articulação transversal entre diferentes questões de investigação. Cada entrada é situada numa etapa do processo e relacionada com problemas específicos da tese, evitando uma acumulação indiferenciada de notas.
Este diário não pretende demonstrar eficiência nem coerência contínua. Pelo contrário, assume a instabilidade, a reversão de decisões e a presença de becos sem saída como parte integrante do processo investigativo. Tornar esses momentos visíveis é uma escolha metodológica consciente, alinhada com a conceção do protótipo narrativo como dispositivo crítico e com a análise das condições em que narrativas abertas podem operar no serviço público de media.
O DDB deve, por isso, ser lido como um arquivo provisório e em transformação. As entradas aqui registadas não antecipam conclusões nem fixam posições definitivas. Funcionam como marcas temporais de um processo em curso, cuja forma final só será construída no confronto entre prática, análise crítica e escrita académica.